4. Daimon ex machina
Daimon ex machina é uma instalação multimídia que reencena, na contemporaneidade, o mito popular do diabo na garrafa. Em um gabinete-oratório de madeira medindo 96 × 43 × 24 cm, uma garrafa de vidro abriga, por meio de um sistema óptico Pepper’s Ghost, a aparição animada de uma figura demoníaca inspirada no personagem Mefistófeles, da obra *Fausto*, de Goethe. O personagem interage verbalmente com o público por meio de inteligência artificial embarcada e offline, mas o faz a partir do arquétipo do *trickster*: responde de modo evasivo, ambíguo ou simplesmente se recusa a responder, subvertendo deliberadamente o regime utilitário das IAs assistivas. A obra reúne tradição mítica, ilusão óptica do século XIX e tecnologia contemporânea em um único objeto-instalação autônomo, propondo uma reflexão crítica sobre os imaginários contemporâneos da inteligência artificial — a máquina como oráculo dissimulador que parece deter todas as respostas, mas se recusa a entregá-las por completo.